DADOS ESTATÍSTICOS E METODOLÓGICO EM REUMATOLOGIA – PARTE II

DADOS ESTATÍSTICOS E METODOLÓGICO EM REUMATOLOGIA – PARTE II

Anticorpos anti-CCP-2 (2ª geração) – Peptídeos Cíclicos Citrulinados

                Recentemente forma demonstradas as presenças de anticorpos anti-CCP em pacientes com Artri-te Reumatóide (AR), altamente específicos (95 a 97%) e de alta sensibilidade (70 a 80%).

                Além dessas qualidade, superiores ao teste de FR, o anti-CCP aparece precocemente na AR e alguns estudos demonstraram a sua presença muitos anos antes dos pacientes apresentarem quadro de AR, podendo ajudar nas previsões da progressão de casos indiferenciados, que irão evoluir para quadro clínico efetivo. Isto quer dizer que quase 100% dos indivíduos normais que apresentarem títulos positivos de anticorpos anti-CCP vão desenvolver AR. Persistirá sempre um grupo de pacientes com AR, que não apresentarão teste positivo para FR e também para anti-CCP, em qualquer fase da doença.  A RP+ do anti-CCP chega a 12,4 e a RP- alcança 0,36.

                A taxa de progressão reaiográfica da AR mostrou ser maior em pacientes com anticorpos anti-CCP do que quando comparado somente ao FR positivo.  Assim, o exame de escolha para a suspeita de AR é o anti-CCP, pois seu valor Preditivo positive é bastante alto e o anti-CCP não aparece associado à infecções virais.

 

Fator anti-nuclear (ou anti celular) – FAN

 

                São anticorpos dirigidos a componentes nucleares e citoplasmáticos, como anti-DNA, anti-Histonas, anti-Ribonucleoproteínas, complexo de Golgi, etc. O teste padrão-ouro é a Imunofluorescência indireta, com conjugado anti-IgG humano preparado em cabras, em substrato de céluas HEp-2 (proveniente de uma cepa de carcinoma epidermóide de laringe, metastático, obtida em 1952- Human Epidermoid carcinoma, straim #2)  para fonte estável,  de núcleos e citoplasmas com componentes abundantes, acima de células de outras origens e tecidos. O teste é preparado com diluições séricas dos pacientes em busca de padrão fluorescente e título sérico.

                Os níveis de FAN são considerados positivos a partir de 1:80 da diluição do soro do paciente. Além do título, o método descreve o padrão imunofluorescente. Os padrões de coloração são resultados da reação antígeno-anticorpo, entre antígenos nas células HEp-2 e os anticorpos dos pacientes. Os padrões de coloração ou fluorescentes estão divididos em Nucleares, Nucleolares, Citoplasmáticos, aparelho Mitótico e Tipo Misto.

                De uma forma geral a correlação entre padrões fluorescente, o título do teste, tem uma fraca correlação com a doença auto-imune e outros distúrbios.

 

Doenças associadas com o teste o FAN

 

DOENÇAS REUMÁTICAS:

LES, DMTC, AR, Dermatomiosite, Esclerocermia, Lúpus discoide, Polimiosite, Síndrome de Sjögren.

 

DOENÇAS AUTOIMUNES ÓRGÃOS ESPECÍFICOS:

Cirrose biliar primária, colangite autoimune, doença autoimune da tireoide, hepatite autoimune.

 

OUTRAS DOENÇAS:

Doenças linfoproliferativas, FAN assintomático induzido por fármacos (*), Fibrose Pulmonar idiopática, Hipertensão Pulmonar Primária, Infecções crônicas, Lúpus induzido por fármacos (*).

(* - Geralmente podem ocorrer com o uso dos seguintes fármacos: clorpromazina, hidralazina, interferon-alfa, isoniazida, minocilcina, metildopa, penicilamina e procainamida.

 

                /de acordo com o IV Consenso Brasileiro para Pesquisa de auto-anticorpos para FAN, com células HEp-2, devem ser observadas colorações fluorescentes para os seguintes componentes celulares:

 

a)      Núcleo

b)      Nucléolos

c)       Citoplasma

d)      Placa metafásica cromossômica (PMC)

e)      Aparelho Mitótico

 

Princípio do teste para FAN:

 

                As doenças de origem auto-imune tem uma característica comum que é a agressão contra tecidos próprios, em indivíduos geneticamente predispostos, que sendo sistêmicas, podem acometer vários órgãos. Este teste se reveste de importância como auxiliar no diagnóstico, acompanhamento

 e previsão dessas doenças. AR, LES, Sjögen, Esclerose Sistêmica, DMTC, são alguns exemplos desses tipos de patologias.

                A célula LE ou célula de Hargraves, fenômeno que ocorre ”in vitro”, foi descoberta  em 1948, em pacientes com LES. Ao entender a fisiopatologia e o mecanismo desses auto-anticorpos, pode-se entender o mecanismo desses anticorpos contra os antígenos celulares/nucleares. Com o uso da IFI para a pesquisa de anticorpos anti-nucleares/celulares, finalmente, reconheceu-se os vários tipos de anticorpos e a correlação com processos clínicos. Os consensos nacionais e internacionais de FAN possibilitou a normatização.

 

CLASSIFICAÇÃO DOS PADRÕES NUCLEARES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PADRÕES

RELEVÂNCIA CLÍNICA

NUCLEAR TIPO MEMBRANA NUCLEAR (PMC -)

(anticorpos anti-lâmina e envelope nuclear)

Cirrose biliar primária, hepatites autoimunes, raramente associado à doenças reumáticas. Algumas formas de LES e Esclerodermia linear. Raramente associado à Síndrome dos anticorpos anti-fosfolípides. Em baixos títulos não apresentam associação clínica específica.

NUCLEAR HOMOGÊNEO (PMC+)

(Anticorpos anti-DNA nativo, anti-Histona e anti-Cromatina/DNA/histona e anti-Nucleossoma)

Anticorpos anti-DNA nativo (Marcador de LES), anticorpos anti-Histona (Marcador de LES induzido por fármacos e LES idiopático), Anticorpos anti-Cromatina-DNA/Histona. Anticorpos anti-Nucleossoma (LES. AR, Artrite Juvenil Idiopática e importante associação com uveíte na forma oligoarticular, Síndrome de Felty e Hepatite auto-imune).

NUCLEAR PONTILHADO GROSSO (PMC-)

(Anticorpos anti-Sm e anti-RNP)

Anticorpos anti-Sm (LES) e anticorpos anti-RNP (critério obrigatório para Doença Mista do Tecido Conjuntivo – DMTC, também presente na Esclerose Sistêmica - ES e AR)

NUCLEAR PONTILHADO GROSSO RETICULADO  (PMC-) Anticorpos anti-hnRNP – Ribonucleoproteínas heterogêneas)

Raramente presente em doenças autoimunes, exceto em títulos elevados (≥ 160), prevalente na população em geral.

NUCLEAR PONTILHADO FINO (PMC-)

(anticorpos anti-SS-A/Ro e Anti-SS-B/La)

Anti-SS-A/Ro: Síndrome de Sjögren Primária, LES, Lúpus Neonatal (Bloqueio ventricular e/ou manifestação cutânea isolada) e LE cutâneo subagudo, ES, Cirrose Biliar Primária – CBP.

Anti SS-B/La: Síndrome de Sjögen Primária, LES, Lúpus Neonatal (Bloqueio Atrial Ventricular Congênito e /ou manifestação cutânea isolada).

NUCLEAR PONTILHADO FINO DENSO (PMC+)

Anticorpos anti-proteína p75 – cofator de transcri-ção – LEDGF/p75-Lens Epithelium-derived growth fator)

É um dos padrões mais observados na rotina laboratorial, sem relevância clínica, até o momento, pois é observado em indivíduos normais, processos inflamatórios específicos e não-específicos, doenças alérgicas e doenças autoimunes.

NUCLEAR PONTILHADO PONTOS ISOLADOS  (PMC-)

[anticorpos anti-p80 colina e anti-Sp100 (anti-p95)]

Anticorpos anti-p80 colina não possui relevância clínica definida) e anti-Sp100 (anti-p95) é descrito na CBP e também em outras condições clínicas.

NUCLEAR PONTILHADO CENTROMÉRICO (PMC+)

(anticorpos atni-centromérico, proteínas A, B e C)

ES na forma CREST (Calcinose, Fenômeno de Raynaud, Disfunção motora do esôfago, esclero-dactilia e telangectasia). CBP Síndrome de Sjögen.

NUCLEAR PONTILHADO PELOMÓRFICO

(anticorpos anti-núcleo de células em prolifera-ção - PNCA)

LES (especificamente)

NUCLEAR “QUASi-HOMOGÊNEO” (PMC+)

Pode ser positivo em pacientes com anti-DNA, Anti-SS-A/Ro, Anti-Histona e Anti-Nucleossomo, sem associação com manifestações clínicas ou doença específica.

 

 

 

 

 

 

 

CLASSIFICAÇÃO DOS PADRÕES NUCLEOLARES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

NUCLEOLAR HOMOGÊNEO (PMC-)

(Anticorpos anti-PM/Scl, To/Th, Nucleolina)

Síndrome de Superposição da Polimiosite com ES. Raramente encontrado em casos de Polimiosite ou ES, sem superposição clínica.

NUCLEOLAR AGLOMERADO  (PMC amorfa)

Associação com ES com comprometimento visceral grave, como a Hipertensão Pulmonar

NUCLEOLAR PONTILHADO (PMC +)

(anticorpos anti-NOR 90 e anti-RNA polimerase I)

Anti-NOR 90: ES e em outras doenças do tecido conjuntivo, sem relevância clínica definida. Anti-RNA polimerase I: ES de forma difusa com comprometimento visceral grave e mais frequente.

 

 

CLASSIFICAÇÃO DOS PADRÕES CITOPLASMÁTICOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CITOPLASMÁTICO FIBRILAR LINEAR

(Anticorpos anti-Actina e Anti-miosina)

Anticorpos anti-Actina: encontrados em hepatopatias como Hepatite Autoimune  e Cirrose. Anticorpos anti-Miosina: Hepatite C, Carcinoma Primário hepático, Miastenia Gravis, Quando em títulos baixos a moderados podem não ter relevância clínica definida.

CITOPLASMÁTICO FIBRILAR FILAMENTAR

(Anticorpos anti-Vimentina e anti-Queratina)

Anti-Queratina: doença hepática alcoólica. Descrito em várias doenças inflamatórias e infecciosas. Quando em títulos baixas pode não ter relevância clínica.

CITOPLASMÁTICO FIBRILAR SEGMENTAR

Miastenia Gravis, Doença de Crohn e Colite Ulcerativa. Em títulos baixos a moderados pode não ter relevância clínica.

CITOPLASMÁTICO PONTILHADO POLAR

(Anti-Golginas (proteínas das cisternas do Apare- lho de Golgi)

Síndrome de Sjögen Primária, LES, Ataxia Cerebe-lar Idiopática, degeneração cerebelar paraneoplásica, infecções virais por HIV e EBV. Títulos baixos não tem relevância clínica.

CITOPLASMÁTICO PONTILHADO PONTOS ISOLADOS

(Anti-EEA1, Anti-fosfatidilserina, anti-GWB)

Anticorpos anti-EEA1 e Anti-Fosfatidilserina: não há associações clínicas definidas. Anti-GWB: Síndrome de Sjögen Primária e em outras diversas condições clínicas não específicas.

CITOPLASMÁTICO PONTILHADO FINO DENSO

(Anti-proteína P-ribossomal e anti-PL7/PL-12)

Anti-proteína P-ribossomal: LES, geralmente relacionado com quadros psiquiátricos da doença.

Anti-PL7 e Anti-PL12, aparecem em raros casos de Polimiosite.

CITOPLASMÁTICO PONTILHADO FINO

(Anti-Histidil t-RNA Sintetase – anti-Jo1)

Anticorpos mardacores de Polimiosite de adultos.Pode, raramente, aparecer na Dermatomiosite.

CITOPLASMÁTICO PONTILHADO RETICULADO

Anticorpos anti-Mitocôndria)

Pode sugerir a presença de anticorpos anti-M2 (Anti-piruvato desidrogenase), marcador da CBP (M2) e também na ES.

 

 

CLASSIFICAÇÃO DO APARELHO MITÓTICO

APARELHO MITÓTICO TIPO CENTRÍOLO

(Anticorpos anti-Alfa-Enolase)

Em títulos altos podem aparecer na ES. Em títulos baixos a moderados não tem relevância e associa-ção clínica.

APARELHO MITÓTICO TIPO PONTE INTERCELULAR

Pode se positivar na LES, DMTC e em outros processos autoimunes, inflamatórios e infecciosos crônicos. A relev^ncia clínica ocorre somente em altos títulos (≥ 1:320).

APARELHO MITÓTICO TIPO FUSO MITÓTICO (NuMa 2)

(anti-HsEg5)

A relevância somente ocorre em altos títulos. Pode-se associar a diversas condições autoimunes, mas com baixa especificidade.

 

 

 

CLASSIFICAÇÃO DOS PADRÕES MISTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MISTO DO TIPO NUCLEAR PONTILHADO FINO COM FLUORECÊNCIA DO APARELHO MITÓTICO

(Anticorpos anti-NuMa1)

Associado à Síndrome de Sjögren e em outras condições autoimunes ou inflamatórias crôni-cas.

 

MISTO DO TIPO NUCLEAR PONTILHADO GROSSO E NUCLEOLAR HOMOGÊNEO COM PLACA METAFÁSICA DECORADA EM ANEL (CROMOSSOMOS NEGATIVOS)

(anticorpos anti-KU)

Marcador da superposição dos quadros de Polimiosite e ES. Podem aparecer no LES e na Esclerodermia.

MISTO DO TIPO NUCLEAR E NUCLEOLAR PONTILHADO FINO COM PLACA METAFÁSICA POSITIVA E DECORA- ÇÃO DO CITOPLASMA E DA REGIÃO ORGANIZADORA DO NUCLÉOLO.

[Anticorpos anti-Topoisomerase I(Scl-70)]

Associado à ES na forma difusa e mais rara-mente pode ocorrer na Síndrome CREST e su-perposição Polimiosite/Esclerodermia.

MISTO DO TIPO NUCLEAR PONTILHADO FINO E NUCLEOLAR PONTILHADO COM DECORAÇÃO DAS REGIÕES ORGANIZADORA DO NUCLÉOLO E PMC+.

(Anticropos anti-DNA/Topoisomerase)

Associado a diversos quadros autoimunes e inflamatórios crônicos.

MISTO DO TIPO CITOPLASMÁTICO FINO DENSO A HOMOGÊNEO E NUCLEOLAR HOMOGÊNEO.

[Anticorpos anti-rRNP(anti-proteína P-ribossomal)]

Marcador de LES geralmente relacionado à quadros psiquiátricos.

MISTO DO TIPO NUCLEAR COM POSITIVIDADE DA PONTE INTERCELULAR

(anticorpos anti CENP-F ou mitosina)

Pode ser encontrados em casos de carcinomas de pulmão, mama e em diversas doenças neoplásicas, hepáticas, rejeições crônicas de aloenxerto renal , doença de Crohn e carcinoma de colo retal.

 

DADOS ESTATÍSTICOS E MOTODOLOGICOS EM ERUMATOLOGIA –PARTE III

DADOS ESTATÍSTICOS E MOTODOLOGICOS EM ERUMATOLOGIA –PARTE III

 

1)Anticorpos anti- nucleares

 

Anticorpos anti-DNA cadeia dupla

As metodologia atuais para anticorpos anti-DNA são a Imunofluorescência Indireta-IFI com substrato de Crithidia luciliae, ELISA e Quimioluminescência.

Esses anticorpos aparecem nos casos de LES, sendo raros em outras doenças e em indivíduos sãos.  A maior indicação do teste é a ... Veja mais »

DADOS ESTATÍSTICOS E METODOLÓGICOS EM REUMATOLOGIA – PARTE I

Muitas vezes os exames laboratoriais, que são auxiliares no estabelecimento de um diagnóstico clínico (vale sempre o antigo adágio: ”A clínica é soberana”), não conseguem, por si só, definir absolutamente, diagnóstico de qualquer doença específica.

                Em uma série de três partes, iremos descrever como o clínico deve agir frente a um exame positivo ou reagente, negativo ou não ... Veja mais »

« Voltar